Meu final de semana foi muito proveitoso. Diria até que foi bastante cultural. Assisti a dois documentários, um produzido pelo History Channel e o outro pela BBC. "O mundo sem os homens" e "O que Darwin não sabia". Esses documentários só me confirmaram ainda mais a teoria do mega egocentrismo: tudo o que nos move é o nosso eu e nada além disso. Estamos sempre em busca de algo que nos satisfaça plenamente, sendo que nós nem mesmos sabemos o que é! Caminhamos por um caminho sempre guiado por nossos desejos e vontades, e há quem diga que são eles que ditam as nossas vidas, as ditas "leis da natureza e do instinto".
Assim como foi descoberto há alguns vários anos atrás, o Sol não gira em torno de nós. O mundo não é nosso umbigo e nossos problemas são pinto pro que quer que seja: Deus, Allah, Buda, Jeová, Maomé...
O que quero dizer é que, por pior que seja a situação, não há por que se desesperar. Afinal, tudo passa e sempre passará. Se hoje você está feliz, que bom! Mas posso afirmar com a absoluta certeza de que você já experimentou a tristeza, a amargura e a angústia. Somos seres em constante mudança e seria bom que aceitássemos melhor a nossa própria finitude. A finitude das coisas. Buscamos por uma segurança que não existe de fato. Segurança nos relacionamentos, na vida profissional, na vida em geral. Queremos um porto seguro que nos faça acreditar que a nossa vida vale a pena! Mas sabe o que de fato vale à pena? As incertezas da vida. Elas nos tem muito a acrescentar. Aprender com o próximo. Amar ao próximo como a ti mesmo, somos todos um e todos iguais. Por baixo do que você vê, é o mesmo esquema de músculos, ossos, sistemas neurais e afins. Somos seres com os mesmos medos e problemas, cada um acredita que em um grau diferente e individual, mas enfim.
Não há com o que se preocupar com o depois. O depois sempre virá e você nunca poderá premeditá-lo. Não se pode ter o controle de tudo e talvez seja importante aprendermos a rir de nós mesmos e nos ridicularizarmos diante de nossos problemas. Você pode até dizer: "Ah Priscila, você tá falando isso porque já passou pela leucemia e agora tá tudo bem...". Que bom né? Mas enquanto eu tava lá na merda, eu preferia acreditar que eu sou apenas um joguete do destino e ver no que ia dar. Não posso ser chamada de sábia e nem de exemplo de vida por causa disso, definitivamente.
A melhor maneira de viver é agora. Não no ontem ou no amanhã. Essas são dicas de quem luta constantemente pra acreditar nisso e fugir dos conceitos comuns cuspidos na minha cara por anos.
Resumindo:
- Não, não sou importante,
- Não você não é importante,
- Não, ninguém é importante,
- Tudo é efêmero, até mesmo minhas palavras e pensamentos; pode ser que amanhã eu mude de ideia e delete este post, eu não sei. Minha mente é um constante vir-a-ser do que tudo-sei-e-nada-mudarei.
Boa semana a todos.
A vida "normal" não me tem sido fácil, e ninguém disse que seria. Mas gosto desse lance de normalidade ou pseudo-normalidade. Dia desses tava pensando de onde que surgiu o ímpeto de criar este blog, e foi aí que lembrei: "Nossa, tanta gente passando por esse problema... Poderíamos juntar nossas experiências e ajudar as pessoas com o pouco que sabemos e com palavras de conforto." Daí a brincadeira com a música "Viva Las Vegas" e pronto, eis o blog. O que eu não esperava era que de fato nós conseguiríamos ajudar as pessoas e sermos vistas como um grupo de apoio.
Afinal o que é o LLA's Vegas?
A princípio era apenas um local para desabafarmos e expormos nossos pensamentos. Com o tempo, serviu de base para como lidar com um paciente imunodeprimido e até com alguém muito mal humorado. Hoje, penso que não deve haver definições muito específicas para nós, mas quem sabe uma mais ampla. Continuamos a ser um blog de desabafo, de apoio e de informação. Um pouco devagar, sim. Mas como tudo na vida, as fases são cíclicas e nada dura para sempre. Verdade seja dita, há 5 anos atrás eu mal conseguia me imaginar com 23 anos, dirá ajudando os demais que passam pelo mesmo problema pelo qual passei.
Pretendo postar mais vezes, mas há épocas que para mim não sai nada além de desenho. E tenho ralado tanto, mas tanto... Hahaha.
O que importa é que a vida continua. Continuou, continua e sempre continuará. Temos de ser gratos por tudo, até pelo mindinho torto do pé direito. Por mais que aqui seja uma passagem sofrida e cansativa, ainda é divertida.
Bom final de semana a todos e até breve! (Disse nada com coisa nenhuma, mas é o sono...ZZzz)
Ela viajava na aula e tenho pra mim que dava um dois antes de entrar em sala, era uma raridade no curso a aula ser dada pelo professor, geralmente eram alunos de mestrado que davam aula na graduação, mas a Gilda estava lá sempre, pontualmente as 7 da matina, chapada, mas estava lá.
Nunca fui uma aluna pontual, chegava atrasada diretão. Mas ela nunca me olhou com reprovação quando eu adentrava afobada com mp3 no ouvido e sandália fazendo poc poc no assoalho da sala. Muito pelo contrário, com todas as minhas “patricices” (sim, sempre tive um jeito meio patricinha de ser), eu era uma das únicas alunas no curso inteiro que ela cogitava orientar caso eu quisesse fazer o mestrado em teoria. Foi ela que me ensinou que a felicidade é efêmera, que o mundo é uma latrina e que nós somos o coco boiando, e no fundo tudo isso é verdade. E tem o estranhamento. Tudo aquilo que não conhecemos e que nos causa um certo desconforto, daí vem o estranhamento...
Priscila me causou estranhamento, conheci em uma comunidade no Orkut sobre leucemia, super ativa e super estranha, totalmente diferente de mim. É obvio que também sou inteligente, informada, talentosa mas ela do jeito dela e eu do meu.
Mas sabe água e azeite quando não se misturam? Somos totalmente diferentes, muito diferentes mesmo. Não curtimos o mesmo som, nem música, filmes, livros só alguns poucos, roupas também, nada combina. A única coisa que nos aproximou e mesmo assim só no início foi a leucemia. Adicionei no MSN e se conversamos 5 vezes em 3 anos foi muito, mas nunca “nos deletamos”, não sei se por respeito, por consideração. Lembro-me perfeitamente de uma vez que ela estava fazendo uma faxina no MSN e colocou no Nick “ Faxina na lista de contatos”, imediatamente mandei uma mensagem dizendo para ela não me deletar, ela não deletou, mas também não conversamos mais.
Ano passado, 2008 eu estava muito bem, em remissão ha 2 anos, não sei porque cargas d’água vi Priscila online e falei com ela, era madrugada, ela estava jogando com Sam e uma outra amiga nossa online e perguntou se eu queria jogar, concordei e começamos a falar do tal jogo. Isso foi bem no início de 2008 acho. E foi aí que começamos a nossa amizade, depois de quase 5 anos, foram quase 5 anos de contato no MSN antes da amizade começar.
O estranhamento acabou, eu estava mais amadurecida para ela e ela para mim, não me importa se ela não curte o som que eu curto, se ela não se veste como eu, se não curtimos os mesmos lugares, eu quero curtir ela antes de curtir qualquer coisa.
Pouco tempo depois de retomarmos o contato ela me apresentou a Sam, e pouco tempo depois disso a Sam perdeu o Régis para a leucemia. Isso nos uniu, a Pri ficou triste eu também fiquei arrasada, sumimos um pouco umas das outras, mas logo depois caímos na real e grudamos na Sam. Mesmo que a distância tentamos apoiá-la e fundamos o GAP, Grupo de Apoio Particular, sempre ali, nos apoiando e principalmente tentando dar apoio a Sam.
Até que eu recaí, quando recebi a notícia nós 3 já estávamos muito grudadas, e já estava saindo com a Pri com uma certa regularidade. Pelo menos uma vez por mês a gente se encontrava. Foi um baque para todas nós. Eu pensava não ter mais forças para passar por tudo outra vez.
Mas as pessoas não entram na nossa vida por um mero acaso, tudo tem um sentido, um motivo e penso que elas entraram na minha vida no momento certo. Minha amizade com a Pri amadureceu e floresceu quando eu nem imaginava que eu ia precisar tanto de apoio.
Eu desisti, fiquei sem me tratar por um período e ela obviamente ficou puta comigo, mal nos falávamos. Foi difícil pra caramba, quase morri. E a minha ficha caiu e me perguntei que direito eu tinha de entrar na vida dela assim, e sair como uma covarde. Logo na vida dela, que passou por isso também, que sabia exatamente o que eu estava sentindo. Eu não tinha esse direito. Não tem preço que pague a amizade que tenho com elas. As pessoas entram e saem de nossas vidas, namorados, colegas de trabalho, de faculdade... Mas tem pessoas que entram em nossas vidas para fazer diferença, para fazer com que a gente lembre que a vida vale a pena e que sempre tem um lado bom nas coisas mesmo quando parece não ter, essas eu quero que fiquem e participem da minha vida eternamente.
Se hoje eu estou aqui ela tem uma graaaaande parcela de culpa. Esse texto também é culpa dela, portanto se não gostam do que eu escrevo, se me acham uma chata de galocha, por favor, Batam na Priscila.
Hahahahahaha
Bom, queria falar nesse post sobre o medo de estar sozinha, o que acontece com um número cada vez maior de pessoas. Encontro com muita gente que está namorando ou casada ou mesmo solteira mas desesperada pra encontrar alguém e que não é feliz. A impressão nítida que passa é esse medo de estar sozinha. Eu realmente acredito que tem fases onde precisamos estar nessa situação, por um tempo indeterminado, precisamos nos conhecer melhor e saber o que a gente realmente quer. Com todo esse bombardeio de informações e pressões da sociedade , a vida vai passando e vão dando uma continuidade pra tudo isso de uma forma meio banal e “automática”: namorar, noivar, casar, ter filhos. Será que isso basta pra alguém ser feliz? Não digo que seja ruim, deve ser muito bom, mas será que é o momento certo? Será que é a pessoa certa? E o que eu vejo é que em muitos casos, isso acontece sem ter um sentido verdadeiro, por algum motivo externo ou por pura acomodação.
Às vezes uma pessoa vive muito bem “sozinha” o resto da sua vida. Quando digo sozinha não é solitária. Tem uma grande diferença entre uma coisa e outra. O ser humano pode estar cercado de pessoas, pode ter um companheiro (a) e continuar sempre solitário.
"Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado." Caio F. Abreu
Acho importante não ter esse medo de ficar sozinha, de cuidar de si, de se amar e de não se importar com o que o mundo pensa, ninguém tem o direito de dizer o que é melhor ou não pra você, de falar como você deve viver sua vida. Conversar, dar conselhos, tudo bem se vindos de alguém que quer te ver bem e quer realmente ajudar e os conselhos sejam no mínimo coerentes. A vida é só sua e é uma só. Pode soar clichê, mas é verdade.
"E recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa só existência. É por isso que me esquivo e deslizo por entre as chamas do pequeno fogo, porque elas queimam - e queimar também destrói." Caio F. Abreu
“... perigo é eu me esconder em você e quando eu vou voltar, quem vai saber...
eu preciso andar
um caminho só
vou buscar alguém
que eu nem sei quem sou...”
É isso! Quem está sozinho no momento, aproveite da melhor maneira possível, use seu tempo disponível pra fazer as coisas que você gosta, aprenda a se conhecer, aproveite a sua família, amigos, as pessoas que te amam e que sempre vão estar ao seu lado. Quanto a ter um novo amor, isso vai acontecer da forma mais natural possível e você saberá quando for verdadeiro. Confie nos seus instintos e nos seus sentimentos e seja racional também, porque não ? ;)
“É bom...
Às vezes se perder
Sem ter porque
Sem ter razão
É um dom...
Saber envaidecer
Por si
Saber mudar de tom.”
Durante a fase de imunidade "no pé", a casa do paciente deve ser a mais limpa possível. Os alimentos muito bem cozidos e evitar comer na rua. Quando eu ficava o dia todo no hospital tanto pra exame quanto pra consulta, eu e minha mãe achamos uma lanchonetezinha muito limpinha e almoçava lá sempre quando eram esse dias de exame e consulta. Pelo menos nunca me deu nada e eu nunca comia nada além do que me era servido no hospital e em casa nas semanas de quimio. Havia uma senhora lá que pedia à filha para comprar pastel ou outro tipo de salgado de origens desconhecidas. Não sei se a filha comprava na barraquinha meio suja ali perto da Praça da República ou se ia na lanchonete. Sei que um tempo depois essa senhora faleceu. Seja coincidência ou não, é melhor não pagar pra ver e eu seguia tudo - na medida do possível - do que os médicos diziam.
Na Rússia você não usa a máscara, a máscara usa VOCÊ!Quanto ao uso das máscaras: pra mim, elas nunca serviram. Somente para escárnio alheio, né. Porque sinceramente, andar com aquilo pelas ruas era um transtorno. Não bastasse a careca, ainda um troço branco na cara! Quando estava no começo do tratamento, eu usei uma máscara verde. Teve uma mulher que não parou de me olhar, e isso dentro do ônibus. Não sei que diabos ela pensou, mas o que quer que tenha pensado eu tava era puta com ela. Pensamentos ranzinzas à parte, a máscara não servia para me proteger de muita coisa. Talvez só o grosso mesmo da poeira, porque vírus... Nananinanão. Eu usaria uma máscara daquelas que o povo de industrial, electro goth usam (ainda daria para acrescentar uns itens mais dark e aproveitar a careca branca; até um corpse paint!!!! - que tr00), a máscara de gás, por que essa sim iria me proteger mais do que um tecidinho qualquer na cara.
Voltemos ao lavar as mãos. Se os nossos professores queridos de jardim de infância diziam para lavarmos as mãos, era porque deveríamos fazer isso mais vezes mesmo. Até os "normais" que nunca tiveram uma doença como leucemia ou qualquer outro tipo de câncer em que o tratamento consiste em imunodepressores deveriam lavar as mãos mais vezes. E agora com a gripe da porca, aí que todos se lembrarão de não botar as mãos imundas nas mucosas. Sabiam que o olho é uma das portas de entrada para esse vírus? E não só esse, mas pra qualquer outro. Coçar o olho: ou lave as mãos ou coce com a parte interna da blusa (eu sempre fazia isso e nunca tive conjutivite antes da quimio - e nem durante eu tive, só fui ter com uma crise braba de sinusite e um bom tempo depois da quimio).
A importância que quero passar desse simples ato é que você pode evitar de se infectar e infectar pessoas alheias, ainda mais se você namora, é casado(a), mora com alguém que é imunodeprimido. Já bastam as febres que se tem por causa do tratamento, dirá ter por uma bobeirinha porque não lavou as mãos. O que pode ser uma simples gripe, pode ser um problemão depois, virar uma pneumonia e por aí vai.
Fiquem alertas e tomem cuidado com vossas saúdes. Lavem bem as mãos e não saiam sem o casaquinho! =P Lembrando que estamos na época do ano em que mais a pessoas tossem e espirram e que muitas não tem higiene! (Assoam o nariz na mão depois limpam na roupa ou em qualquer outro lugar, sei lá :S)
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Dica de leitura pra quem quiser ler sobre a gripe da porca: clique aqui. Só poderia ter sido escrito por um biólogo //puxando sardinha pro meu lado//.
Beijocas e bom fds!
Mas a vida anda e nem sempre dá para sentarmos e escrevermos algo. Priscila agora está de Job novo, eu continuo meu tratamento e Sam tem os afazeres dela. Concordo que deve ser chato para quem gosta do blog entrar aqui e não ter nada de novo e interessante. Mas são coisas da vida.
Eu confesso que tenho tido inspiração 0, não que eu seja uma boa escritora, mas deu pro gasto por um tempo. Tenho medo de ficar repetitiva, chata. Não tenho tido muitas novidades e isso não ajuda muito. Tudo o que tenho para contar diz respeito ao tratamento e na boa, não acho nada agradável escrever sobre isso.
Bom, como foi perguntando por uma leitora do Blog sobre o Top Fashion Bazar, aqui vai a dica, a primeira edição do ano está acontecendo no estacionamento do Extra 24H, de 16/04 a 17/05. Av. das Américas 1.500 Barra da Tijuca, de segunda a domingo das 16:00 às 22:00. Para mais informações acessem o site, http://www.bazartopfashion.com.br/ .
Vou pensar em algo bem legal para postar e quebrar esse silêncio horroroso. Definitivamente vocês não merecem isso. Engraçado que este blog foi idealizado e realizado para que tivéssemos um lugar em comum para desabafar (eu, Pri e Sam), isso foi logo depois que recebi o diagnóstico da recaída e dei início ao tratamento.
Nunca passou pela nossa cabeça que iríamos ter tantos acessos. Bacana né?
Começou assim, um dia no MSN eu disse que seria legal termos um blog, um espaço só nosso, e começamos a idealizar, depois a realizar, a Pri se encarregou do Layout, e até fez um convite muito lindo para mandarmos para os amigos e conhecidos. Deixamos o blog com a nossa cara, e começamos a nos empolgar com a idéia de atingir mais pessoas. E foi tudo muito rápido.
Desde que colocamos no ar até hoje, apesar de ser pouco tempo (o blog ainda não fez um ano), muita coisa aconteceu. Umas legais e outras nem tanto, mas o mais importante é que continuamos muuuuuuito amigas, às vezes um pouco distantes mas nem por isso menos amigas.
É isso, espero que este tempo de hiato do blog não tenha diminuído consideravelmente os visitantes, o que seria compreensível, e espero que consiga retomar o meu ritmo de postagem.
Por enquanto é só.
Um beijo a todos
Ju
P.S.: Gente assisti a um filme muito legal, o título é O pequeno traidor, conta a história de um menino judeu de 12 anos, Proffy, que em 1947 vive na Palestina antes da criação do Estado de Israel, quando ainda estava ocupada pelo exército britânico. E tudo o que Proffy deseja é que os britânicos saiam de sua terra, até que ele conhece o sargento Dunlop, e começa uma bela amizade.
Não vou contar o resto para não perder a graça, mas fica a dica para quem se interessar.







