VIVA

É um blog de conteúdo irônico-sarcástico-azedinho, porém, não menos engraçado.

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Eu agradeço as visitas diárias de algumas pessoas que passam por aqui para ver se há alguma postagem nova e pelos leitores que procuram por Cecília Meireles e esbarram com o nosso querido blog. Uma vez que minha vida tem sido uma imensa correria, a da Ju um oceano "desértico" de idéias pros posts e da Sam que às vezes se inspira, o blog ficou um pouco abandonado. Mas perdão!!! Agora já estou de férias e vou controlar esse espaço aqui.

É que às vezes é difícil olhar pra essa tela em branco e escrever algo que seja legal e que seja exatamente o que eu penso. Isso tá ocorrendo com a Ju. Ela está bem, já recebeu alta do hospital (o pulmão esquerdo dela não queria 'funfar' direito devido à síndrome do ATRA - em outro post explicarei isso), mas não consegue escrever. Então eu diria que este post é Juliana by Pri.

O processo de quimioterapia é muito sofrível. Quando eu vi que a quimioterapia era tipo uns megas antibióticos, enzimas e afins foi que pensei que era algo muito simples, mas complexo também. E é esse líquido que entra nas veias pra nos salvar de uma medula maluca. Medula louca, insana e inconseqüente! Nos transforma em outras pessoas sem que queiramos.

Quando digo que nos transformamos em outras pessoas é verdade. Não sei que tipo de alucinógeno (hehehe antes fosse) que tem nos quimioterápicos, mas parece que você não é você. Deixe-me explicar: imagine-se controlando um SIM - do jogo The Sims - e você está todo pimpão (pimpona) controlando ele. Ele caga quando você quer, limpa a casa quando você quer e por aí vai. Quando se coloca em modo automático, ele faz o que dá na telha dele, certo? Com a quimio é quase isso. Você, seu eu normal, tá lá vendo tudo, mas a sua boca, suas ações, seus pensamentos são outros. Vejamos um exemplo medonho criado agora da minha cabeça:

LEGENDA - Mãe - verde / Eu normal - vermelho (voz interna) / Eu insano de QT - roxo (voz ativa)

CENA I
"- Filhinha, seus pés estão inchados, por que você não os coloca para cima?
- Vou botar porra nenhuma pra cima, pára de me encher o saco, quero dormir!
- Putz, por que eu falei desse jeito com a minha mãe? Que diabos eu tô fazendo?"

CENA II
"- Priscila, vou em casa dar comida pros cachorros e mais tarde eu volto tá?
- Nãããããããoooooooo!!!! Fica aqui comigo! Eu não posso ficar sozinha!! SOCORRO!!
- Caraca, olha a paranóia! Ela é a sua mãe, nunca que ela te abandonaria!"

CENA III
"- (Fulano qualquer) Você aceita Jesus?
- Sim...
- Putz... Papo de salvação pra cima de mim só porque estou doente é dose hein."

Cenas comentadas:
CENA I - É a possessão pelo mau humor mega-hiper-super-ultra-crônico. Você maltrata as pessoas, se dá conta disso mas é muito tarde para voltar atrás. (Sim, sempre pode-se pedir desculpas, mas uma vez a palavra proferida ela não tem volta...)
CENA II - Carência extreme-supreme-bestial-boboca-mor. Uma vez, quando eu estava em depressão (síndrome derivada do uso excessivo de corticóides), minha mãe tinha ido em casa para alimentar os dogs. Beleza, mas eu tava MUITO PARANÓICA, achei que ela tinha me abandonado e me bateu um desespero. E aí que eu não levantava muito da cama e decidi levantar pra procurar por ela. Resultado: Priscila magrela e careca perambulando pelos corredores do hospital até parar no térreo com um monte de visitante me olhando. As moças da recepção: "Aonde você vai?" e eu: "Tô procurando a minha mãe". No mesmo instante me puseram no elevador e me botaram de novo na enfermaria. Eu fiquei com vergonha e no fundo sabia que eu não estava no meu estado normal. Meu eu normal tava ali, num cantinho do consciente enquanto via o outro eu alterado fazendo suas peripécias...
CENA III - Aos leitores que são evangélicos cristãos etc, não tomem isso como ofensa, longe de mim ofender a religião alheia. Mas se houve algo que eu vi de fato foi o efeito absurdo do corticóide. Por causa dos corticóides que eu fiquei em depressão, quase enlouqueci e ainda virei crente!!! E não foi só eu. O ex-noivo da Sam também virou evangélico. A própria Ju também... Desconfio que nas igrejas evangélicas as águas dos bebedouros tenham corticóides... (Piada sem graça!) Eu hoje recuperei minha sanidade - mais ou menos - e não sou mais evangélica.

Pois é, e nesse papo de que eu não sou eu, mas eu sou outro eu e meu eu mesmo tá em algum lugar, é que muita gente acha que a pessoa com câncer, de um modo geral, se tornou irritadiça, de mal com a vida... A verdade é que há pessoas e pessoas; portanto não estranhem se alguém que você conhece e que passou a se tratar com quimioterápicos mudou da água para o vinho. Como bióloga por acidente, devo dizer que as alterações hormonais, sinápticas e outras fazem muita diferença sim no comportamento do doente. O melhor para quem está de fora do ciclo da QT é ser paciente. Sim, a paciência é a palavra chave para um momento árduo como esse. Não estranhe se a Ju começou escrevendo um moooonte de posts e hoje não têm escrito muitas coisas. Quando eu tava em tratamento eu ficava muito triste por não conseguir sentir direito a ponta dos dedos, e conseqüentemente, não conseguia desenhar. Eu chorava e meu pai idem (meu pai sempre foi um chorão mesmo!).

O que importa disso tudo é que vai passar. A alegria, a tristeza... Tudo isso passa, e cabe a nós respeitarmos esse ciclo nosso e o dos outros também. =)
____________________________________________

Uhu, temos 2 meses de blog! E estamos procurando por parcerias e trocas de link. Interessados comentem ou mandem e-mail para pramosbio@gmail.com
E quero também desenvolver uma campanha para doação de sangue e medula, interessados(as) enviem e-mail para o mesmo dito acima.
Bom final de semana e dia 14 é meu aniversário! Viva eu :P

COMENTEM!!! FAÇAM A JU FELIZ! =P

O Hemorio é um hemocentro de excelente qualidade e foi lá que iniciei o meu tratamento pra LLA. Quando eu fui lá há um mês atrás, uma conhecida minha havia reclamado de que as roupas de cama dos pacientes estavam em péssimo estado e que os enfermeiros estavam agindo de forma completamente antiética. Como eu SEMPRE defendi o Hemorio e defendo, resolvi mandar um e-mail para a Secretaria de Saúde do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Segue abaixo (sim, eu estava muito revoltada):

“Meu nome é Priscila de Souza Ramos, moradora da Pavuna, tenho 22 anos e sou paciente do HEMORIO há quatro anos e 7 meses e gostaria de fazer uma crítica aos “cuidados” que vem sendo dispensados ao HEMORIO.
É vergonhoso saber que um centro de referência para tratamento de doenças Hematológicas tenha se tornado um pequeno caos. É vergonhosa a atuação do Sr. Governador Cabral em relação à saúde, se preocupando tanto com as UPA’s, que nada mais passam de um “cala a boca” pro povo e como motivo pra arrecadar votos pro Eduardo Paes. No Hemorio, falta o medicamento GLIVEC, tão importante e usado no tratamento de pessoas que tem Leucemia. Pergunto-me se alguém que trabalha nesse setor da saúde já teve Leucemia e se sabe o que é depender do governo público para se tratar. Não, eu acho que vocês não sabem disso. Acho que também não sabem o quanto que o tratamento é sofrível e que quantos pacientes agora tem sofrido com a falta de roupas de cama decentes (há várias com furos), alimentação crua e fria, e como se não bastasse, enfermeiros discutindo em frente aos pacientes – que além de debilitados, tem de suportar um ambiente de desarmonia como este.
Eu me pergunto aonde é que o Sr. Governador anda com a cabeça. No governo da Rosinha, NUNCA FALTOU GLIVEC NO HEMORIO, e quando faltavam outros medicamentos, logo eram supridos. As roupas de cama eram limpas e sem furos, os enfermeiros nos respeitavam. Que governo é esse que sabota a saúde da população?
Porque não aumentam os salários dos médicos ao invés de tomarem medidas paliativas que são as UPA’s que pra nada servem? Reformem os postos de saúde, o que quer que seja! Dêem atenção aos grandes hospitais também, porque se hoje estou viva, foi graças ao tratamento que recebi no Hemorio.
Quero que tomem medidas REAIS com o Hemorio, e se nada fizerem...
... Prefiro nem dizer.
Att.
Uma paciente revoltada com o Governo.“

Demorou por volta de 2 a 3 semanas para ter meu e-mail respondido, e depois dessa cópia enviada eu enviei novamente. Recebi um e-mail de "status" da minha mensagem, dizendo que havia sido entregue à Ouvidoria do hospital. Uma semana depois eis a resposta:

Prezada Priscila,

Concluímos que apesar de não apresentar indicação para o uso do medicamento Glivec, você observou uma dificuldade na dispensação do medicamento aos nossos pacientes. Dificuldade essa que foi real, devido ao novo processo de gerenciamento de estoques de medicamentos implantado pela Secretaria Estadual de Saúde em todas as suas Unidades próprias. Houve um período de transição que infelizmente ocasionou desabastecimento de alguns medicamentos. Estamos trabalhando para normalizar os estoques o mais breve possível.
Podemos afirmar que os esforços se somam e que há, por parte da SESDEC todo o empenho na regularização dessa situação. Aguardamos para muito breve um contrato de entrega programada do medicamento ao HEMORIO, que garantirá o abastecimento integral, por largo período para todos os pacientes.

O HEMORIO em parceria com a SESDEC está atento ao bem estar e conforto de seus pacientes e por essa razão foram adquiridas camas novas, modernas, mais amplas com colchões mais adequados e confortáveis, as quais substituíram as que se encontravam danificadas. Desta forma, conseqüentemente o enxoval será substituído, promovendo assim um atendimento humanizado aos clientes de nossa Instituição.
Quanto à conduta dos funcionários, lamentamos o ocorrido, destacamos que os aspectos comportamentais e éticos são abordados em treinamento iniciais e específicos. A supervisão de enfermagem, sempre que presencia qualquer comportamento inadequado, interfere e orienta os funcionários. Contamos ainda com a valiosa ajuda dos pacientes e acompanhantes, como você, para que nos auxiliem a detectar problemas como o relatado, para que através da Ouvidoria e/ou comunicação direta com os enfermeiros responsável pelo Setor, possamos tomar as ações necessárias, para tanto se faz necessário à identificação dos funcionários.
Estamos à sua disposição, para conversamos e tomar as ações cabíveis, a fim de que esta imagem negativa da nossa instituição seja revertida.

Atenciosamente,
Vania Reis
Ouvidoria - HEMORIO
Tel/Fax: 2232-9553
Disque-Sangue: 0800 282 0708
www.hemorio.rj.gov.br
Doar sangue: um ato de amor!

Pois bem, não trabalho lá mas isso já foi um sonho meu (hehehe). Pela resposta que recebi, pude notar que houve sim um problema real e não falta de assistência para com os pacientes. Tudo bem que no governo da -eca- Rosinha isso nunca aconteceu, mas como me explicaram lá, estavam migrando um sistema... O que importa é que em breve os pacientes receberão o Glivec. Sei que tempo é "vida", mas o hospital já está resolvendo isso. Sempre admirei o Hemorio por ser um hospital de excelência (já disse que foi lá que me tratei? =P) e os profissionais que lá trabalham por realmente GOSTAREM do que fazem.
Espero que essa situação seja sanada o mais rápido possível, para que nenhuma das partes fiquem prejudicadas.

E vamos doar sangue galera!!! Beijos.

Nós apoiamos

  • Obviamente, este espaço é reservado aos homens que são casados. Aos que pensam em se casar, por favor, não leiam. Aqui trarei perspectivas e observações ...
    Há 7 anos

Também lemos

Pérolas do VIVA LLA's VEGAS

Com tanta merda que já ocorreu e como nós somos seres providos de humor negro, a seguir vai a lista de algumas pérolas dessas "LLAzices":

* Há coisas que só a Leucemia te proporciona. (óbvia essa)

* Viva LLA's Vegas! (LLA... Alô?)

* Labirinto da Dauno. (Daunorrubicina - Antibiótico muito tóxico de antraciclina aminoglicosídeo... Dããã);

* Você não chamou o Raul, o Raul que te chamou.(Fenômeno do vômito a jato);

* Vem cretina! (Vincristina - C46H56N4O10 - dããã²) ;

* Paraquentamal (Paracetamol);

* Dexter mete na zona (Dexametazona);

* Prendi, Prendinazona (Dexter não quis pagar);

* ATRAzildo, ATRAsado, ATRAvessado, ATRAcado, ATRApelado (eu inventei! *.* mwahaha)

* Metrô Texano (Metrotexato)...


And more to come. =)

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